quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Maré

"A poesia é subversão do corpo."
- Octavio Paz.
"uno"
grita o corpo
enquanto a alma escorre pela carne
e se transforma em febre até os ossos
se torna jardim nos fundos da casa
e cor nas paredes opacas de antes
e o desejo dos alicerces agora é também
vibração das cortinas e do vento leve
que toma por completo a sala de estar
a alma sorri e se sasseia no ventre do corpo
que diz: "bem aventurado seja este matrimônio"
e juntos vibram, cantam, gozam e são
- o corpo que antes se envergava
para colher seus vestígios ao chão
agora admira a aurora e os céus
o corpo que antes era raquítico
e escondia suas vergonhas
agora beija a alma e se lambuza
com o batom vermelho do tempo
o corpo que antes era fardo
sendo carregado e arrastado por aí
agora é fruto de prazer
o corpo que antes era quieto
agora se admira com os mistérios
da sua doce completude.

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