quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Blue.

"as vezes a noite não perdoa um homem
pelos erros cometidos em dias nebulosos"
penso enquanto Joni Mitchell toca
mais triste do que na última vez em que tocou
- mais solitária e quieta, como se esquecida
de todos os sonhos da aurora de outros tempos
como se fosse eu ou você nestes dias

com o lamento de solitários anjos
que ralaram suas mãos ao cair sob pedras
e por isso se trancaram em quartos
envergonhados de sua forma
como se fosse pecado perder o controle

com esse silêncio mortal
que parece sintoma incolor de seu estado
- e a musica ainda tocando
tento escrever um retrato de minha angustia
imaginando que você não se sentiria bem
se soubesse como estou acabado

o piano é melancólico - e fere fundo
o céu é de um negro avermelhado
como se a existência fosse apenas imaginação
ou experimentação da eternidade dourada
com seu karma e tudo aquilo que volta,
um jogo de pingue-pongue que ninguém
- jamais ousou tentar vencer

e um frio sobe a espinha em direção
aos cacos quebrados da alma
como se os dias fossem intermináveis,
uma mera artimanha do eterno retorno...
- estou paranoico! Ah Joni, por que me tortura
com essa voz de quem já sabe o fim da historia?

sejamos doces antes de sermos cometas
afinal, viajamos até o fim do universo
só para ver se aguentaríamos nossos pesos
e o resultado de tudo isso ninguém sabe contar...
mas eu espero te ver abrir a porta com o mesmo sorriso
- que tinha naquele dia em que te conheci.

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