o sorriso
e o sussurro
em seu ouvido
em uma tarde
ganha que conquista
a memória em um
affair despretensioso
mas correm
as memórias
e choram as
pretensões
com o impacto
perdido do sopro
que gera afastamento
logo
batem à porta
batem na porta
jogam copos vazios
em direção à paredes
de branquidão interminável
sem proposito ou sentido
tudo se torna randômico
depois de um tempo
e reverbera se tornando
o sangue nas mãos
que mancha as paredes,
dissimula as linhas,
subverte o pensamento
e cala o sussurro
e seu eco.
sábado, 31 de janeiro de 2015
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Tocando à distância.
Faz um tempo que quero fazer algo do gênero, mas nunca tinha tempo e agora tenho tempo e não tenho ânimo para fazer mais nada, então decidi deixar aqui os meus álbuns favoritos - até agora.
10 - Oasis - Definitely Maybe.
Álbum de estreia da banda inglesa, Definitely Maybe é mais poético do que parece a faixa Live Forever é um soco fechado no estômago cantado de forma bem gentil e agradável. O clima que o álbum me trás é basicamente de: "não há muito o que fazer, os dados estão jogados, então vamos dançar."
9 - Chico Science & Nação Zumbi - Da lama ao Caos.
Para mim não há álbum que represente melhor a musicalidade brasileira do que "Da lama ao Caos", que para mim significa um grito de protesto: "Por que temos que importar cultura?" - há muito mais na periferia do que as pessoas tendem a acreditar e a voz lendária e quase profética de Chico Science está gritando exatamente isso. "Modernizar o passado é uma evolução musical."
7 - Bob Dylan - Blood on the Tracks.
Dylan sendo Dylan do modo mais especial em que é possível ser Dylan. "If you see her say hello" é minha preferida do Dylan uma canção encantadora sobre um homem que perdeu um amor e pede ao interlocutor se caso a vê-la para que diga "olá" por ele, mas é claro sem deixá-la perceber que ele ainda a ama.
6 - The Doors - L.A. Woman.
A volta do The Doors ao que o The Doors era originalmente (o ritmo jazzista dos primeiros álbuns) - isto é claro, com a banda muito mais madura e Jim Morrison ainda mais poético do que nunca. O disco de despedida da banda com Jim nos vocais é uma trip na estrada da vida - Atenção à faixa "L'america" que é de arrepiar a alma.
5 - The Smiths - The Queen is Dead.
O gracejo e a delicadeza desse álbum não tem comparação nesta lista, desde seus versos iniciais percebemos a originalidade da banda e uma irreverência...
4 - Jeff Buckley - Grace.
Único álbum de estúdio de Jeff Buckley em vida é nada menos que um grito de dor. Esse álbum não poderia ser melhor e a melancolia dá o tom em todas as faixas, caso não tenha ouvido esta maravilha do mundo da música corra porque está perdendo tempo, mas não espere nada além de faixas introspectivas e espectrais que podem te fazer repensar o sentido da vida.
3 - Radiohead - In rainbows.
A segunda parte da década de 2000 é algo ainda mais intimista e profundo nas faixas do Radiohead e confesso que este álbum me visitou muitas vezes enquanto estive na fossa...
2 - The Doors - Strange Days.
De poesia beat e Nietzsche até bossa nova, há tudo neste álbum que é uma espiral descente até as entranhas da existência humana - a trupe de circo na capa questiona muito mais do que apenas "o que é ser normal", mas os valores profundamente auto-destrutivos de uma sociedade doente que adora capar à si própria, a tristeza banha o álbum - principalmente nas faixas iniciais e na faixa título.
1 - Joy Division - Unknown Pleasures.
"Isto não é um conceito é um enigma." diz a contracapa do álbum, quando me deparei com ele pela primeira vez foi como um choque, a musica em si sofreu uma mudança completa de sentido em mim, uma batida boa é uma batida boa e não basta batidas boas para se fazer músicas boas - é preciso mais do que isso, muito mais e foi isso que Unknown Pleasures me provou.
Menção Honrosa:
Daughter - The Wild Youth (Ep)
Uma banda inglesa que-quase-ninguém-conhece mas faz um som que toca a alma, o disco da banda "If you leave" não entra na lista, mas é praticamente impossível deixar o Ep "The Wild Youth" de fora, há muito mais nele do que em discografias inteiras de outras bandas.
10 - Oasis - Definitely Maybe.
Álbum de estreia da banda inglesa, Definitely Maybe é mais poético do que parece a faixa Live Forever é um soco fechado no estômago cantado de forma bem gentil e agradável. O clima que o álbum me trás é basicamente de: "não há muito o que fazer, os dados estão jogados, então vamos dançar."
9 - Chico Science & Nação Zumbi - Da lama ao Caos.
Para mim não há álbum que represente melhor a musicalidade brasileira do que "Da lama ao Caos", que para mim significa um grito de protesto: "Por que temos que importar cultura?" - há muito mais na periferia do que as pessoas tendem a acreditar e a voz lendária e quase profética de Chico Science está gritando exatamente isso. "Modernizar o passado é uma evolução musical."
7 - Bob Dylan - Blood on the Tracks.
Dylan sendo Dylan do modo mais especial em que é possível ser Dylan. "If you see her say hello" é minha preferida do Dylan uma canção encantadora sobre um homem que perdeu um amor e pede ao interlocutor se caso a vê-la para que diga "olá" por ele, mas é claro sem deixá-la perceber que ele ainda a ama.
6 - The Doors - L.A. Woman.
A volta do The Doors ao que o The Doors era originalmente (o ritmo jazzista dos primeiros álbuns) - isto é claro, com a banda muito mais madura e Jim Morrison ainda mais poético do que nunca. O disco de despedida da banda com Jim nos vocais é uma trip na estrada da vida - Atenção à faixa "L'america" que é de arrepiar a alma.
5 - The Smiths - The Queen is Dead.
O gracejo e a delicadeza desse álbum não tem comparação nesta lista, desde seus versos iniciais percebemos a originalidade da banda e uma irreverência...
"Farewell
To this lands cheerless marshes
Hemmed in like a boar between arches
Her very Lowness with her head in a sling
I'm truly sorry
But it sounds like a wonderful thing"
4 - Jeff Buckley - Grace.
Único álbum de estúdio de Jeff Buckley em vida é nada menos que um grito de dor. Esse álbum não poderia ser melhor e a melancolia dá o tom em todas as faixas, caso não tenha ouvido esta maravilha do mundo da música corra porque está perdendo tempo, mas não espere nada além de faixas introspectivas e espectrais que podem te fazer repensar o sentido da vida.
3 - Radiohead - In rainbows.
A segunda parte da década de 2000 é algo ainda mais intimista e profundo nas faixas do Radiohead e confesso que este álbum me visitou muitas vezes enquanto estive na fossa...
2 - The Doors - Strange Days.
De poesia beat e Nietzsche até bossa nova, há tudo neste álbum que é uma espiral descente até as entranhas da existência humana - a trupe de circo na capa questiona muito mais do que apenas "o que é ser normal", mas os valores profundamente auto-destrutivos de uma sociedade doente que adora capar à si própria, a tristeza banha o álbum - principalmente nas faixas iniciais e na faixa título.
1 - Joy Division - Unknown Pleasures.
"Isto não é um conceito é um enigma." diz a contracapa do álbum, quando me deparei com ele pela primeira vez foi como um choque, a musica em si sofreu uma mudança completa de sentido em mim, uma batida boa é uma batida boa e não basta batidas boas para se fazer músicas boas - é preciso mais do que isso, muito mais e foi isso que Unknown Pleasures me provou.
Menção Honrosa:
Daughter - The Wild Youth (Ep)
Uma banda inglesa que-quase-ninguém-conhece mas faz um som que toca a alma, o disco da banda "If you leave" não entra na lista, mas é praticamente impossível deixar o Ep "The Wild Youth" de fora, há muito mais nele do que em discografias inteiras de outras bandas.
sábado, 17 de janeiro de 2015
Caiena
Estou pensando em fugir para a Guiana Francesa,
ficar à beira do mar em Caiena - com o céu estrelado
da noite tropical - uma desilusão de verão
mas poderei dizer à todos que foi uma fuga
somente para testar os bares mais ao norte do trópico
quem sabe lá poderei escrever uma frase de impacto
em algum muro - não em francês é claro
quero fazê-los abrirem um dicionário de português
e entenderem que a dor é poliglota e não respeita fronteiras
talvez como resposta eu até consiga que algum outro louco
me pague uma bebida e me garanta uma boa conversa
as noites em Caiena devem ser densas e sinistras
é claro não tão mais sinistras do que as noites
em qualquer outra pequena cidade do mundo
o riso fantasmagórico das mortes jamais enunciadas
sempre disparam ao vento nas cidades pequenas
nas cidades grandes ao menos podemos fingir
que não seremos esquecidos tão cedo após a morte
olhando o céu, que o mesmo céu que se vê em Caiena
percebo que o brilho da cidade está no fato de que
ninguém quer fugir para lá, todos preferem Paris
e suas noites já surradas de tão visitadas antes,
já tão impuras dessa inocência do imaginário misterioso,
mas quem sabe o que de novo pode haver em Caiena?
respiro fundo enquanto ainda olho o céu
que é o mesmo céu de Paris e penso que também a visitaria
e suas noites onde deve ser confortável cruzar as mesmas
vielas e sentar nos mesmos bares nos quais sentaram
Henry Miller ou Ernest Hemingway à 70 anos atrás.
Incoerente? Não, só não gosto de extremismos
e brincar com o novo é como encarar um perigo latente
nunca se sabe o que pode vir - o que está atrás da porta
Eu iria a Caiena descobrir o novo na solitude da floresta
e da cidade virgem de poesias em seu nome
a devorá-la como devoramos uma amante nova
experimentando seu perfume, seu gosto, suas ideias,
sua prosa - para descobrir se no fim ela é uma cidade
que também chora à noite - como todas as outras choram.
ficar à beira do mar em Caiena - com o céu estrelado
da noite tropical - uma desilusão de verão
mas poderei dizer à todos que foi uma fuga
somente para testar os bares mais ao norte do trópico
quem sabe lá poderei escrever uma frase de impacto
em algum muro - não em francês é claro
quero fazê-los abrirem um dicionário de português
e entenderem que a dor é poliglota e não respeita fronteiras
talvez como resposta eu até consiga que algum outro louco
me pague uma bebida e me garanta uma boa conversa
as noites em Caiena devem ser densas e sinistras
é claro não tão mais sinistras do que as noites
em qualquer outra pequena cidade do mundo
o riso fantasmagórico das mortes jamais enunciadas
sempre disparam ao vento nas cidades pequenas
nas cidades grandes ao menos podemos fingir
que não seremos esquecidos tão cedo após a morte
olhando o céu, que o mesmo céu que se vê em Caiena
percebo que o brilho da cidade está no fato de que
ninguém quer fugir para lá, todos preferem Paris
e suas noites já surradas de tão visitadas antes,
já tão impuras dessa inocência do imaginário misterioso,
mas quem sabe o que de novo pode haver em Caiena?
respiro fundo enquanto ainda olho o céu
que é o mesmo céu de Paris e penso que também a visitaria
e suas noites onde deve ser confortável cruzar as mesmas
vielas e sentar nos mesmos bares nos quais sentaram
Henry Miller ou Ernest Hemingway à 70 anos atrás.
Incoerente? Não, só não gosto de extremismos
e brincar com o novo é como encarar um perigo latente
nunca se sabe o que pode vir - o que está atrás da porta
Eu iria a Caiena descobrir o novo na solitude da floresta
e da cidade virgem de poesias em seu nome
a devorá-la como devoramos uma amante nova
experimentando seu perfume, seu gosto, suas ideias,
sua prosa - para descobrir se no fim ela é uma cidade
que também chora à noite - como todas as outras choram.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Visões na penumbra.
O contato com um dos últimos livros de Jack Kerouac - aqui carinhosamente "Ti Jean" - não é com certeza uma estrada fácil, neste ponto a viajem é mais turbulenta, existencial, triste e interna - eu diria que é uma viajem pessoal pelos caminhos nos quais a memória do autor já tende a vagar. Desde seu mais essencial começo o livro fatídico já é fatal, a morte permeia já suas primeiras paginas deixando um gosto amargo à boca e que não desce tão facilmente.
"Pois não é uma natureza inocente que fez os morros parecerem tristes e arrasados, são os homens e suas mentes terríveis - A ignorância, a grosseria, as frustrações malvadas e mesquinhas, os complôs, as tendências hipócritas, o arrependimento em relação às perdas, o deslumbramento com os ganhos - Atendentes, carregadores de ossos, agentes funerários, usuários de luvas, sopradores de névoa, prenunciadores de merda, mijadores, profanadores, fededores, conversores de bezerros gordos, manchas & cascas de feridas sobre a face da Terra -"
- Visões de Gerard; J. Kerouac - Página 17.
Keroauc tem ótimas reflexões que passam de uma visão budista/cristã ao pessimismo existencialista - o que trás certas recordações de outros romances ao leitor, como por exemplo "Os vagabundos iluminados". O tema central do livro a morte do irmão Gerard Duluoz, visto pela família e por todos que o cercam como um santo é propício de ótimas reflexões sobre a existência humana e todo o mistério que a cerca, os detalhes e o carinho de Jack por Gerard se tornam um peso à mais para o livro, concedendo a ele um tom intimista em determinados momentos que faz a obra parecer uma homenagem ao irmão morto.
Acredito que este seja um dos trabalhos mais profundos de Kerouac - novamente existencialmente falando e um trabalho muito maduro em relação à qualidade escrita, com momentos que alternam entre uma prosa voraz e uma poética lúcida sobre temas abstratos quase intraduzíveis. Isso talvez se dê pelo fato de ter sido escrito no período final da vida do autor - apenas seis anos antes de sua morte - quando já havia se tornado consagrado e tido a oportunidade de trabalhar e refinar sua técnica.
De todo modo este livro me chocou, tanto pela forma com que a morte é simbolizada e retratada - o irmão, a inocência que ascende aos céus por sua pureza - tanto quanto pelas reflexões "... mas eu sempre disse que o fato de que os homens existem é mais interessante do que qualquer outra coisa que possam fazer" (Kerouac, Jack - Visões de Gerard, página 111), que poderiam facilmente terem sido escritas por qualquer leitor de Sartre nos idos do anos 60. Para mim um dos mais completos romances de Kerouac, por sua sutileza e delicadeza e é válido não apenas para aqueles que tem interesse pela obra do autor - já que o livro tem potencial próprio.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Blue.
"as vezes a noite não perdoa um homem
pelos erros cometidos em dias nebulosos"
penso enquanto Joni Mitchell toca
mais triste do que na última vez em que tocou
- mais solitária e quieta, como se esquecida
de todos os sonhos da aurora de outros tempos
como se fosse eu ou você nestes dias
com o lamento de solitários anjos
que ralaram suas mãos ao cair sob pedras
e por isso se trancaram em quartos
envergonhados de sua forma
como se fosse pecado perder o controle
com esse silêncio mortal
que parece sintoma incolor de seu estado
- e a musica ainda tocando
tento escrever um retrato de minha angustia
imaginando que você não se sentiria bem
se soubesse como estou acabado
o piano é melancólico - e fere fundo
o céu é de um negro avermelhado
como se a existência fosse apenas imaginação
ou experimentação da eternidade dourada
com seu karma e tudo aquilo que volta,
um jogo de pingue-pongue que ninguém
- jamais ousou tentar vencer
e um frio sobe a espinha em direção
aos cacos quebrados da alma
como se os dias fossem intermináveis,
uma mera artimanha do eterno retorno...
- estou paranoico! Ah Joni, por que me tortura
com essa voz de quem já sabe o fim da historia?
sejamos doces antes de sermos cometas
afinal, viajamos até o fim do universo
só para ver se aguentaríamos nossos pesos
e o resultado de tudo isso ninguém sabe contar...
mas eu espero te ver abrir a porta com o mesmo sorriso
- que tinha naquele dia em que te conheci.
pelos erros cometidos em dias nebulosos"
penso enquanto Joni Mitchell toca
mais triste do que na última vez em que tocou
- mais solitária e quieta, como se esquecida
de todos os sonhos da aurora de outros tempos
como se fosse eu ou você nestes dias
com o lamento de solitários anjos
que ralaram suas mãos ao cair sob pedras
e por isso se trancaram em quartos
envergonhados de sua forma
como se fosse pecado perder o controle
com esse silêncio mortal
que parece sintoma incolor de seu estado
- e a musica ainda tocando
tento escrever um retrato de minha angustia
imaginando que você não se sentiria bem
se soubesse como estou acabado
o piano é melancólico - e fere fundo
o céu é de um negro avermelhado
como se a existência fosse apenas imaginação
ou experimentação da eternidade dourada
com seu karma e tudo aquilo que volta,
um jogo de pingue-pongue que ninguém
- jamais ousou tentar vencer
e um frio sobe a espinha em direção
aos cacos quebrados da alma
como se os dias fossem intermináveis,
uma mera artimanha do eterno retorno...
- estou paranoico! Ah Joni, por que me tortura
com essa voz de quem já sabe o fim da historia?
sejamos doces antes de sermos cometas
afinal, viajamos até o fim do universo
só para ver se aguentaríamos nossos pesos
e o resultado de tudo isso ninguém sabe contar...
mas eu espero te ver abrir a porta com o mesmo sorriso
- que tinha naquele dia em que te conheci.
Assinar:
Comentários (Atom)









