domingo, 3 de agosto de 2014

Eu te amo.

Eu cantei o mantra dos indianos com mendigos em ruas irregulares
e recitei com a voz inconsistente seu nome para a lua,
para o caos e todos os pedestres que quisessem ouvir
enquanto a noite nascia ardente sobre o inverno

Eu caí em praças nevoadas em plena madrugada
olhando as estrelas que com faíscas explodiam sob minha cabeça
e entre fagulhas e vertigens percebi sua imagem entorpecendo minha mente
me deixando completamente obscuro sobre o sentido da vida
e todas as dores mortais que cercam os homens

Estive me arrastando por meses adentro
de anos que pareciam intermináveis
e quando a sede de seus lábios recaiu sobre minha alma
tive alucinações em que imaginei tocar sua pele
enquanto mantinha minha atenção no som de sua voz

Te vi nas ruas do centro da cidade
quando a noite reinava incrédula de meu amor,
me perdi por entre a multidão nos vagões dos trens
e te encontrei nas melodias que tocavam,
nas vozes roucas das canções que tanto me lembravam de você

E em domingos mortais nos quais o sol queimava o asfalto
fazendo surgir no meio da metrópole um vasto deserto
senti meu coração pulsar em um ritmo desolado
enquanto minha memória rompia a séria trégua
que havia selado meses antes com meus sentimentos

Em conversas binárias na madrugada
na escuridão plena de meu quarto
o impulso forte partindo de minhas artérias
selou com palavras a inquietação de outrora
"Eu te amo".

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