segunda-feira, 16 de março de 2015

pássaros - pedro venturini.

que se abram
as portas das prisões
e outras faculdades [re-
corte em cut-up
de um livro velho-novo
sobre uma paris dos
anos 60] e meus tédios
ninguém comeu junto
sabe, nossas histórias
são como barcos à deriva
em meio a névoa no oceano;
nunca se pode enxergar
à frente e o que já foi
parece distorcido e distante
a experiência do real
não é tão mais real
estar bêbado é mais real
do que estar sóbrio
seus atos-reflexo se tornam
mais impulsivos
todo sentido passa
a ser questionado
não há certezas quando
se está bêbado
apenas a de que
há uma possibilidade
para tudo - ninguém
vê com os olhos de ninguém
são lentes incompatíveis
caminhos incompatíveis

[corte] para uma
auto-estrada vazia
com um céu azul triste
e o sol se pondo
num horizonte já negro
- com nuvens de chuva
a estrada, leva à lugar algum
à peças de xadrez prestes
a ganhar ou perder o jogo
e ninguém sabe
até o último segundo

até o último
cavaleiro se jogar
do penhasco
[ninguém ampara
o cavaleiro do mundo
delirante; mendes, murilo]
até a próxima
cerveja

[acendo o último
cigarro do mundo
trago silenciosamente
e busco esperança;
marcolino, alvaro]
todas as dores
como lágrimas
num oceano de merda

{beijos no
alvorecer de um
novo dia - de uma
nova fotografia}
retratos de infância
pendurados na
parede do meu
coração, textos
bêbados às 22:56
no meu quarto sozinho
pensando se há algum
sentido nisso tudo
quanto tempo
leva uma vida?
uma cena rápida
de um carro dirigindo
em uma estrada,
vagos trechos
que mal podem
ser percebidos
com todas essas
luzes brilhando
solitárias na noite
nos postes, nas casas,
nos apartamentos
e o bêbados urrando
para a lua, sozinhos,
perdidos, como todos
nós. eu acredito
nas pessoas e na sua
santa sinceridade
eu acredito que
um dia a estrada se
encerra e o que fica
é uma questão
sobre tudo o que
pensamos à respeito
disso, da experiência
do real imaginário
dos nossos sonhos.

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