quarta-feira, 18 de março de 2015

O último sache de chá.

Minhas mãos tremem
ao tocar seu corpo
em partes cada vez
mais particulares
arranho sua alma,
me torno movimento
cada vez mais estético
and I feel your long hair
all over my body

[Um corte na cena]

há chá fervendo em
uma panela
dentro da minha cozinha
por entre os corredores
das minhas artérias
no abdômen do meu quarto
você cavalga - and ride;
manchas de batom
no travesseiro, vermelho
nos meus lábios

[Corte II]

A cena agora:
eu sentado em um
trem cheio/vazio
divagando em devaneios
sobre borboletas transcendentais

Você tem a minha palavra
e o que ela diz é sobre
essa multidão de ninguém...

"Ele acorda às 6 da manhã
coloca uma roupa social
e ninguém sabe pra quê
Ela acorda às 5:45 passa ma-
quiagem forte e ninguém
verá quem ela irá beijar
Eu acordo às 5:50 e escrevo
poesia que ninguém sente"

Estação Pinheiros:
A luz do diz consome
minhas pupilas, há um
gosto forte na minh'boca
caminho sonolento pela
calçada, rua sumidouro,
esquinas frias (18, 17 graus,
início de outono).

[Corta para uma
sala de aula]
Giz 1963, psicometria,
vozes ecoam na sala semi-
cheio-vazio, cartilhas de ética,
rorschach às 8:30 da manhã,
magnitude, intensidade,
gradação - axioma de
identidade...

[Corte IV]

Sala de estar, almoço
em família, "estar" - um
eu lançando-se em direção
a um oceano de infinitas
possibilidades...

Luz, câmera...

Luz nos seus lhos
intensidade no seu eu,
na respiração ofegante

Luz, câmera...

[Corte V]

Sofá, sala escura
mãos, seios, bunda,
cabelos - sinto seu corpo,
(sinto sem questionar
 que é sentir) e tenho vontade
de sentir mais ainda

[Corta para agora]

Uma mesa de escrever
papéis riscados com o
proto-poema (futuro)
"você acredita em seus sonhos?"
a névoa, os olhos embaçados,
o arrepio na coluna dorsal,
o eco, o eco, o eco...

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