Minhas mãos tremem
ao tocar seu corpo
em partes cada vez
mais particulares
arranho sua alma,
me torno movimento
cada vez mais estético
and I feel your long hair
all over my body
[Um corte na cena]
há chá fervendo em
uma panela
dentro da minha cozinha
por entre os corredores
das minhas artérias
no abdômen do meu quarto
você cavalga - and ride;
manchas de batom
no travesseiro, vermelho
nos meus lábios
[Corte II]
A cena agora:
eu sentado em um
trem cheio/vazio
divagando em devaneios
sobre borboletas transcendentais
Você tem a minha palavra
e o que ela diz é sobre
essa multidão de ninguém...
"Ele acorda às 6 da manhã
coloca uma roupa social
e ninguém sabe pra quê
Ela acorda às 5:45 passa ma-
quiagem forte e ninguém
verá quem ela irá beijar
Eu acordo às 5:50 e escrevo
poesia que ninguém sente"
Estação Pinheiros:
A luz do diz consome
minhas pupilas, há um
gosto forte na minh'boca
caminho sonolento pela
calçada, rua sumidouro,
esquinas frias (18, 17 graus,
início de outono).
[Corta para uma
sala de aula]
Giz 1963, psicometria,
vozes ecoam na sala semi-
cheio-vazio, cartilhas de ética,
rorschach às 8:30 da manhã,
magnitude, intensidade,
gradação - axioma de
identidade...
[Corte IV]
Sala de estar, almoço
em família, "estar" - um
eu lançando-se em direção
a um oceano de infinitas
possibilidades...
Luz, câmera...
Luz nos seus lhos
intensidade no seu eu,
na respiração ofegante
Luz, câmera...
[Corte V]
Sofá, sala escura
mãos, seios, bunda,
cabelos - sinto seu corpo,
(sinto sem questionar
que é sentir) e tenho vontade
de sentir mais ainda
[Corta para agora]
Uma mesa de escrever
papéis riscados com o
proto-poema (futuro)
"você acredita em seus sonhos?"
a névoa, os olhos embaçados,
o arrepio na coluna dorsal,
o eco, o eco, o eco...
quarta-feira, 18 de março de 2015
segunda-feira, 16 de março de 2015
pássaros - pedro venturini.
que se abram
as portas das prisões
e outras faculdades [re-
corte em cut-up
de um livro velho-novo
sobre uma paris dos
anos 60] e meus tédios
ninguém comeu junto
sabe, nossas histórias
são como barcos à deriva
em meio a névoa no oceano;
nunca se pode enxergar
à frente e o que já foi
parece distorcido e distante
a experiência do real
não é tão mais real
estar bêbado é mais real
do que estar sóbrio
seus atos-reflexo se tornam
mais impulsivos
todo sentido passa
a ser questionado
não há certezas quando
se está bêbado
apenas a de que
há uma possibilidade
para tudo - ninguém
vê com os olhos de ninguém
são lentes incompatíveis
caminhos incompatíveis
[corte] para uma
auto-estrada vazia
com um céu azul triste
e o sol se pondo
num horizonte já negro
- com nuvens de chuva
a estrada, leva à lugar algum
à peças de xadrez prestes
a ganhar ou perder o jogo
e ninguém sabe
até o último segundo
até o último
cavaleiro se jogar
do penhasco
[ninguém ampara
o cavaleiro do mundo
delirante; mendes, murilo]
até a próxima
cerveja
[acendo o último
cigarro do mundo
trago silenciosamente
e busco esperança;
marcolino, alvaro]
todas as dores
como lágrimas
num oceano de merda
{beijos no
alvorecer de um
novo dia - de uma
nova fotografia}
retratos de infância
pendurados na
parede do meu
coração, textos
bêbados às 22:56
no meu quarto sozinho
pensando se há algum
sentido nisso tudo
quanto tempo
leva uma vida?
uma cena rápida
de um carro dirigindo
em uma estrada,
vagos trechos
que mal podem
ser percebidos
com todas essas
luzes brilhando
solitárias na noite
nos postes, nas casas,
nos apartamentos
e o bêbados urrando
para a lua, sozinhos,
perdidos, como todos
nós. eu acredito
nas pessoas e na sua
santa sinceridade
eu acredito que
um dia a estrada se
encerra e o que fica
é uma questão
sobre tudo o que
pensamos à respeito
disso, da experiência
do real imaginário
dos nossos sonhos.
as portas das prisões
e outras faculdades [re-
corte em cut-up
de um livro velho-novo
sobre uma paris dos
anos 60] e meus tédios
ninguém comeu junto
sabe, nossas histórias
são como barcos à deriva
em meio a névoa no oceano;
nunca se pode enxergar
à frente e o que já foi
parece distorcido e distante
a experiência do real
não é tão mais real
estar bêbado é mais real
do que estar sóbrio
seus atos-reflexo se tornam
mais impulsivos
todo sentido passa
a ser questionado
não há certezas quando
se está bêbado
apenas a de que
há uma possibilidade
para tudo - ninguém
vê com os olhos de ninguém
são lentes incompatíveis
caminhos incompatíveis
[corte] para uma
auto-estrada vazia
com um céu azul triste
e o sol se pondo
num horizonte já negro
- com nuvens de chuva
a estrada, leva à lugar algum
à peças de xadrez prestes
a ganhar ou perder o jogo
e ninguém sabe
até o último segundo
até o último
cavaleiro se jogar
do penhasco
[ninguém ampara
o cavaleiro do mundo
delirante; mendes, murilo]
até a próxima
cerveja
[acendo o último
cigarro do mundo
trago silenciosamente
e busco esperança;
marcolino, alvaro]
todas as dores
como lágrimas
num oceano de merda
{beijos no
alvorecer de um
novo dia - de uma
nova fotografia}
retratos de infância
pendurados na
parede do meu
coração, textos
bêbados às 22:56
no meu quarto sozinho
pensando se há algum
sentido nisso tudo
quanto tempo
leva uma vida?
uma cena rápida
de um carro dirigindo
em uma estrada,
vagos trechos
que mal podem
ser percebidos
com todas essas
luzes brilhando
solitárias na noite
nos postes, nas casas,
nos apartamentos
e o bêbados urrando
para a lua, sozinhos,
perdidos, como todos
nós. eu acredito
nas pessoas e na sua
santa sinceridade
eu acredito que
um dia a estrada se
encerra e o que fica
é uma questão
sobre tudo o que
pensamos à respeito
disso, da experiência
do real imaginário
dos nossos sonhos.
terça-feira, 10 de março de 2015
Azul como a noite - venturini.
Não!
Não grite!
Não permita que te digam,
o que você deve fazer
mas se fizerem isso
não grite! não dê a eles
o circo que esperam que dê
Não grite!
Não permita que te digam,
o que você deve fazer
mas se fizerem isso
não grite! não dê a eles
o circo que esperam que dê
Não!
Não se atente
ao bisturi, a cirurgia em si
é o que importa
e toda carne quando cortada
sangra litros
Não!
Não abaixe a cabeça!
Eles vão gritar e dizer
que você não deveria
ter desobedecido o que eles
disseram, mas tudo isso é em vão
agora que já fez mantenha-se em pé
Não!
Não ligue a tevê!
Lá é o lar dos moralistas
e cada dia um novo traficante
é preso e uma criança chora na tela
mas todos se esquecem dos bilhões
sonegados em impostos
Não!
Não respire o monóxido de carbono deles!
Tudo isso foi feito
pensando na gorda barriga
deles e não há mais frutos
que procriem doce neste lugar.
Não!
Não diga que estou paranoico!
Ainda me resta um
último suspiro - se não estou
mal das contas e com ele
vos digo que a única
virtude é toda aquela
que é verdadeira.
Não se atente
ao bisturi, a cirurgia em si
é o que importa
e toda carne quando cortada
sangra litros
Não!
Não abaixe a cabeça!
Eles vão gritar e dizer
que você não deveria
ter desobedecido o que eles
disseram, mas tudo isso é em vão
agora que já fez mantenha-se em pé
Não!
Não ligue a tevê!
Lá é o lar dos moralistas
e cada dia um novo traficante
é preso e uma criança chora na tela
mas todos se esquecem dos bilhões
sonegados em impostos
Não!
Não respire o monóxido de carbono deles!
Tudo isso foi feito
pensando na gorda barriga
deles e não há mais frutos
que procriem doce neste lugar.
Não!
Não diga que estou paranoico!
Ainda me resta um
último suspiro - se não estou
mal das contas e com ele
vos digo que a única
virtude é toda aquela
que é verdadeira.
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