Está frio neste sábado a noite, a cidade de São Paulo se cala fora de minha janela, seus carros cruzando as avenidas da solidão em direção a qualquer lugar parecem ter me dado o minuto de silêncio o qual necessitava. Não estou distante de mim mesmo nos últimos dias, tive a aproximação que necessitava para que o desalento de meu coração se cessasse e todas perturbações da mente por fim como os carros na rodovia respeitassem meu eu.
Me perguntava como se estivesse diante do espelho em uma manhã fria, ou diante de um tribunal que me acusava de injúria ao meu próprio ser; "Quem sou eu?"
Talvez de todas aquelas perturbações internas esta fosse a que mais gritava forte, mais gemia escarnando o que me restava de sanidade, mais me botava de joelhos preso em uma camisa de força; "Quem sou eu?"
Costumamos fazer perguntas todos os dias, a cada minuto, mas por que então, esta pergunta parece tão difícil de ser respondida? É claro, podemos a responder de maneira simples "Eu sou, quem sou" ou "Eu sou estudante...", "Eu sou um jovem de...", mas seria esta uma resposta apropriada? Não seria necessário um pouco mais de... digamos, existencialismo? Ao decorrer de tais pensamentos, percebi um pedaço vazio, um bloco de existência faltante, eu precisava de respostas, e somente pude as encontrar em mim.
Tais respostas não surgiram assim, facilmente, precisei de tempo e de perguntas. O mundo enlouquece na ausência delas, ele cai implorando para que sejam feitas, para que o pensamento prossiga na sua tentativa frustrada de justificar sua essência, mas por que mesmo diante desse esforço estratosférico do mundo alguns ainda escolhem viver de maneira tão automática? E por que eu decidi romper essa barreira?
Certamente não sou digno de dar respostas pelos outros, mas quanto a falar por mim mesmo, disto sou capaz, o processo de não me calar em relação aos meus questionamentos foi longo (e certamente é algo contínuo) até chegar a este ponto de "lucidez" (que está distante de ser uma completa lucidez existencial) muitas perguntas precisaram ser feitas "por que o mundo é feito de tamanho sofrimento?", "onde está tal sofrimento?", "por que necessitamos passar por ele?" e assim percebi que eu questionava o próprio sentido da vida, e com tais questionamentos, rompi sozinho e sem querer a barreira da consciência de estar vivo. O sentido da vida é sempre almejado pelo ser humano, mas a única resposta que poderemos ter é em nós mesmos e justificar sua existência é tão complexo quanto entender o motivo dela. São perguntas que diariamente vem a tona, surgem como fogo e a tristeza certamente é um gatilho fatal para que tais perguntas despontem na vida de alguém. A busca existencial é como parte de uma busca para preencher o vazio e só com algumas respostas a sensação de insuficiência se vê sanada, mesmo que tais respostas não representem nem uma pequena parcela das perguntas existenciais que a vida tem a oferecer, mas certamente representam o alívio de um grande peso. Unicamente vejo minhas respostas apontando na direção a da liberdade, a do peso de meus atos, que tem como consequência o sentido de toda a minha existência, o sentido para mim está no próprio ato de existir, no desdobramento do que faço, cito o reflexo, pois somos isso, apenas o reflexo que se projeta no mundo com a intenção de transforma-lo, para onde, está já é a justificativa para o sentido. Se projetar nossos atos dá sentido a existência, certamente como projetaremos tais atos justificam a existência. Questões como "Por que faço isso?", "Por que ajo de tal maneira?", "Por que penso assim e não de outra forma?" são claramente as minhas tentativas de justificar por que eu creio que devo como ser deixar minha marca, preciso não apenas justificar minha existência, mas também acreditar que o que estou fazendo é bom o suficiente e merecedor de ser uma marca, uma mancha, uma pincelada a mais na grande pintura da historia da humanidade, preciso dizer que o que estou fazendo não é em vão.
Com a conclusão de algumas respostas e questionamentos que tenho levantado ao longo de mais de um ano, enfim, chego as minhas próprias "projeções" de por que existo (este é um "por que" duplo, me diz o sentido da existência ao mesmo tempo em que a justifica).
Estou aqui, em meu quarto já na madrugada de domingo, pensando que tais "projeções" feitas neste inverno serão válidas provavelmente por toda uma vida, toda uma existência, por todo um "porém", por todo um grande "por quê?". Então resolvi criar este espaço por um acaso, precisava de um local onde colocar minhas ideias (e isso inclui textos além de poemas) e o local onde publico atualmente se resume a um espaço altamente poético, já aqui é um lar de ideias, sejam elas em versos ou não, podem ser ideias fotográficas, ideias de papel, ideias digitais e super modernas, mas certamente serão ideias que constantemente mudarão, pois sou um ser em eterna renovação, e seria burrice dizer que jamais mudaria de ideia sobre algo; Certa vez um grande amigo me disse "O homem só é quando morre... As coisas são e os homens existem", então respondendo a minha pergunta inicial: Certamente eu não sou, apenas busco justificar minha existência da melhor forma que posso.
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