quinta-feira, 14 de maio de 2015

pergunte à alice quando ela tiver 10 pés de altura - venturini.

eu jogo
em um silêncio obtuso
em um debate entre partes
no calar das palavras tagarelas
no fogaréu do eterno ouvir-se

eu jogo
tudo que sou
porque sou o que digo e sôo
como aquilo que escuto em uma espiral
como anjos cantando na capela terça-feira
tenho medo da poesia
porque ela te come em palavras
e, portanto, jogo com ela em um tom jocoso
para à distrair enquanto me faço real, parado,
me constituo nela mesma, porque sou ela,
sou como a palavra com que sôo amedrontado
dizer nunca teve
tanta força como no dia em que dissemos
e dissemos que dizer nunca fez tanto sentido
a palavra não tem forma a não ser a que ela forma;
a não ser aquela forma; a não ser aquela fórmula
a palavra é tempo e o tempo é tão sólido quanto o
nada e todo mundo já sabe que a vida é nada
eu jogo à força
eu jogo a força
mas com que força continuo eu a jogar?
porque quando a gente menos espera
percebe que a vida é um absurdo sem tamanho
e sem dimensões.

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