sábado, 11 de outubro de 2014

queria dar a este poema seu nome.

o que sinto é dor. porque não se traduz de outro modo esse sentimento. dor atroz. que atrofia minha caixa torácica, corta meus nervos, consome meu coração e poluí minha mente. a noite se torna mais negra e não poderia ser mais vazia. o vazio é falta, saudade do que não tenho - e não tive. o vazio não é só da existência - que até hoje não se justifica, o vazio é claramente falta de você. não sei porque os poetas não podem mais falar de amor. quero que todos eles se fodam. sou só eu neste quarto amarrado a este sentimento, com a janela aberta e o mundo me engolindo lá fora, só eu e mais ninguém. por estes dias os sorrisos me cansam, os rostos felizes me enojam, tenho vontade de soca-los para que se emudeçam e se calem. felicidade não contagia, deprime ainda mais. por quê? porque tenho inveja de seus sorrisos gordos em rosto corados e verdadeiramente satisfeitos - veja bem, não digo estar insatisfeito com tudo, não poderia admitir isto. mas a este ponto o quarto já se tornou nebuloso e não sei o que diabos faço ouvindo estas músicas, que são só mais uma maldita ferida aberta. a cale-se pedro, cale-se, você não tem razão no que fala, não tem razão no que pensa, de certo é só mais um homem louco, e como poderia ser o contrário? cada um e sua loucura particular. hoje lhe convido a dançar em minhas mágoas e você me levará para onde amanhã? garota, isto bem que poderia ser uma carta de confissão cuja a qual o destinatário jamais foi tão correto. lembro de ter sonhado contigo esta noite. não lembro exatamente o que. só sei que apenas me restava seu rosto em um corredor vazio. e o que me resta de ti agora? só a espera de que venha e me salve desse afogamento repentino. penso em você e logo me lembro que os poetas estão errados, o amor não cabe em palavras.



Nota: roubei aqui, a inovadora tetralogia das minúsculas de valter hugo mae.

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