segunda-feira, 8 de junho de 2015

você deixou sua pulseira azul em casa essa noite. por pedro venturini.

estou me lembrando de algumas
horas atrás, quando estávamos
sentados na minha cama fazendo
tsurus de papel e rindo
{eu me deitei em seu peito
e pude ouvir seus pulmões
enchendo de ar, senti a sua
- pele lisa, seu cheiro meio doce
então, eu levantei a cabeça
e te beijei - é claro que nós
acabaríamos nos amando, é delicado
assim; e agora é plena madrugada
e sem motivo algum pensei em você,
pensei que o fato de amar alguém
talvez seja o sentido da vida, afinal,
o que me faz ser mais eu, do que
me sentar à cama e fazer tsurus de
papel com você? pra que os tsurus
de papel ninguém sabe, mas mesmo
assim continuamos dobrando as
folhas, pra que a vida? ninguém sabe,
mas mesmo assim continuamos nos
encontrando quase que todos os dias,
você sempre abre a porta e seu
cachorrinho corre até meus pés e
começa a pular, eu sempre olho pra
você vindo até o portão e me beijando,
sempre acabamos dizendo que
estávamos com saudades, por quê?
ninguém sabe.