Sabe aquela velha historia de que o tempo é curto? Talvez seja essa a coisa mais trágica da vida, porque com o tempo as pessoas se vão, os minutos se dissolvem, as memórias se esquecem e o que resta é o gosto amargo que tem um domingo à tarde na cidade de São Paulo cinza e vazia.
Confesso que a cena que permeia minha mente é a das festas de aniversário, das velhinhas sobre o bolo em uma sala escura sussurrando para serem apagadas, a cada ano que passa a gente tende a achar que não tem chances de errar, que não deveria arriscar ou se jogar de cabeça naquele amor que jamais vai funcionar, afinal: "o tempo está passando e um erro é desperdiçá-lo". Ah, essa terrível mania de se achar que não se aprende com os erros, deveríamos aprender com eles e não correr deles! E deveríamos também assumir o tesão de cada minuto, as coisas só são erradas quando não te trazem nenhum prazer em fazê-las, não deve haver medo em procrastinar uma tarefa ou deixar de fazer em virtude de fazer algo que te dê mais alegria, te beneficie, a vida é muito curta para ficarmos esperando que as coisas melhorem só amanhã. É claro que ainda podemos sofrer ou sentir alguma dor, mas por que não curtimos esses momentos também? Por que temos que temer nossos sentimentos, nossa dor, nossa angústia? O interessante seria aprendermos a lidar com isso, a administrar nossa interioridade, ficar fugindo dessa saudade que aperta o peito não leva a lugar algum.
Se nosso tempo é curto, temos que evitar as armadilhas que nós mesmos causamos, evitar que de algum modo acreditemos que a vida é amanhã e que não devemos fazer isso ou aquilo, porque "o que vão pensar de mim amanhã?" Sou daqueles que são a favor de nos entregarmos um pouco mais a cada instante, sou um "facilitador", quero simplificar as coisas, não ficar criando jogos complexos e cheios de regras malucas, aqui finalizo com um conselho que ouvi há alguns anos: "A vida é simples, nós é que complicamos".